quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Livros do Ano 2017


Imagem em Cianotipia por Vitor Marques

Ana Monteiro, Alexandre Pascoal, Elsa M. Soares Emanuel Jorge Botelho e Pedro Gomes são os convidados da Livraria SolMar, para darem a conhecer as suas escolhas/preferências das leituras do ano 2017.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Fahrenheit 451



Pegue nessa aldeia quase toda e divida as páginas por pessoa. E um dia, quando a guerra acabar, os livros poderão voltar a ser escritos. As pessoas serão convocadas uma a uma para recitarem o que sabem, que será impresso, e depois chegará outra Era das Trevas na qual, talvez, tenhamos de repetir toda a operação. Mas é está maravilha do Homem: nunca fica desencorajado ou aborrecido a ponto de desistir do que tem mesmo de ser feito, pois sabe muito bem que é importante e vale a pena.


Ray Bradbury, Fahrenheit 451

sábado, 30 de dezembro de 2017

Os Melhores LeYa 2017



Desejamos a todos um Bom Ano 2018.
Aqui fica alguns dos “melhores do ano”, do grupo LeYa,  em diferentes órgãos de comunicação social nacionais:

O Ministério da Felicidade Suprema, Arundhati Roy (Visão, Público e Observador); Até que as Pedras se Tornem mais Leves que a Água , António Lobo Antunes (Visão, Público); Swing Time, Zadie Smith (Público); Quando Portugal Ardeu, Miguel Carvalho (Observador); Atos Humanos, Han Kang (Observador, Time Out, Expresso), Abril e Outras Transições, José Cutileiro (Observador); A Casa das Tias, Cristina Almeida Serôdio (Jornal “i” e Expresso); Caminhos e Destinos – A Memória dos Outros II, Marcello Duarte Mathias (jornal “i”), O Escritor Fantasma, Philip Roth (Sábado); Dias Úteis, Patrícia Portela (Sábado), Lamento de uma América em Ruínas, J.D. Vance (Sábado); A Tragédia de um Povo, Orlando Figes (Sábado, Expresso); Todos os dias Morrem Deuses, António Tavares (Time Out), História Íntima da Humanidade, Theodore Zeldin (Time Out); 1640, Deana Barroqueiro (Expresso); Os Loucos da Rua Mazur, João Pinto Coelho (Expresso); A Construção do Vazio, Patrícia Reis (Expresso); O Pianista de Hotel, Rodrigo Guedes de Carvalho (Expresso).

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Agenda Terra 2108



 Estamos no centro de Ponta Delgada, numa rua estreita e calma, metade ao sol metade à sombra, onde o tempo passa devagar. Entrei num pequeno espaço comercial, aberto a todos os que por ali passam. Ao fundo do corredor, ladeado de máquinas e mesas da era de Gutenberg, está um homem de estatura média, vestido de azul escuro: é o tipógrafo Dinis Botelho. O cheiro a tinta invade-nos as narinas sem pedir licença -  há folhas de papel por todo o lado, mesas de caracteres móveis, prensas, chapas, tinta preta que tinge o chão com largos borrões. O labor é feito num compasso lento, as máquinas estão em silêncio. As matrizes (letras do alfabeto) estão às avessas e de tantas letras de um mundo ao contrário nascem calendários, cartões, blocos, cadernos com um design arrojado. Estou na Tipografia Micaelense, um autêntico museu vivo, aberta a uma cultura urbana que tem vindo a mostrar-se segura e ambiciosa.
Um grupo de jovens artistas açorianos com formação, gosto e sensibilidade, dão todos os anos àquele espaço outra vitalidade e dinâmica. São cinco, como as Aventuras de Enid Blyton, e a aventura vai fervilhando num encontro feliz entre o antigo e o moderno. Todos com formação em áreas diversas: Júlia Garcia, em desing de comunicação, André Laranjinha, em pintura, Maria Emanuel Albergaria, em antropologia, Diana Diegues, coordenadora gráfica das criações periféricas e Nuno Silva formado em filosofia. A eles se deve a Agenda que irá pautar o passar do tempo na ilha; «Um peixe de terra no meio do mar/ Este meu naco de chão onde vou dando recorte aos passos da minha alma» como diz o poeta Emanuel Jorge Botelho nas suas 30 Crónicas.
Desde 2014 que, na Micaelense, se vê criar esta agenda singular, feita manualmente e impressa de forma artesanal. Os temas foram variando ao longo dos anos: no primeiro, o Tempo, em 2015 Ilhas, 2016 contemplou a Luz, 2017 trouxe-nos o Corpo, e em 2018 chegou a Terra. A ideia foi criar uma agenda diferente de todas as outras, personalizada, artesanal e numerada o que a torna única, sendo uma forma de louvar a arte tipográfica.
A Micaelense é a única tipografia, em Ponta Delgada, sobrevivente à passagem, avassaladora, dos tempos hipermodernos.
Já sabe! Comprar um livro é imprescindível como prenda de Natal, e se comprar a Agenda Terra 2018, à venda nas livrarias da cidade, estará a contribuir para perpetuar a memória e valorizar o nosso património.



Publicado no Açoriano Oriental, 20 Dezembro, 2017.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Um Simples Pensamentos



UM SIMPLES PENSAMENTO

É a música, este romper do escuro.
Vem de longe, certamente doutros dias,
doutros lugares. Talvez tenha sido
a semente de um choupo, o riso
de uma criança, o pulo de um pardal.
Qualquer coisa em que ninguém
sequer reparou, que deixou de ser
para se tornar melodia. Trazida
por um vento pequeno, um sopro,
ou pouco mais, para tua alegria.
E agora demora-se, este sol materno,
fica contigo o resto dos dias.
Como o lume, ao chegar o inverno.


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos últimos Três Séculos de Antero de Quental



Causas da Decadência dos Povos Peninsulares é um texto ímpar na cultura portuguesa. O ainda jovem Antero tinha já estruturada uma visão do mundo altamente consciente das diferenças fundamentais que separavam a Ibéria da modernidade, à época a implantar-se e a crescer desafogadamente no Centro e Norte da Europa. O filósofo serve-se de uma linguagem de manifesto porque pretende intervir na sociedade acordando-a para as realidades que os novos tempos impunham. Daí que, por vezes, o estilo algo bombástico, panfletário mesmo, tenha irritado alguns espíritos do seu tempo. Mas o apaixonado Antero dirigia-se oralmente ao seu público e essa marca ficou nítida na versão escrita que depois deu à sua conferência. Não haja, porém, dúvida de estarmos perante um grande clássico da nossa história cultural. 

Onésimo Teotónio Almeida

Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Três Últimos Séculos, Prefácio de Onésimo Teotónio de Almeida, ed. Artes e Letras, 2017

quinta-feira, 19 de outubro de 2017